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    CRIME POLÍTICO. Secretário do governo municipal assassina ex-presidente da Câmara de Patrocínio e abala Minas

    Fonte: https://www.radiohoje.com.br/index.php/patrocinio
    Criado em Quinta, 24 Setembro 2020 22:06

    Cássio Remis (PSDB) foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira (24) após ser atacado durante uma live

    O crime aconteceu na porta do Seaspa, onde Cássio Remis foi reaver o celular que estava em poder de Jorge Marra. Fotos: reproduções das redes sociais(Facebook e Youtube)

    Da redação da Rede Hoje

    O 24 de setembro de 2020 entra para a história de Patrocínio como um dos piores dias de sua história. Um crime envolvendo autoridades municipais abala a política mineira. O advogado, ex-presidente da Câmara Municipal de Patrocínio e pré-candidato a vereador nas próximas eleições, Cássio Remis dos Santos (PSDB), foi morto a tiros na tarde desta quinta-feira (24) após ser atacado durante uma live. Segundo a PM, o suspeito do crime é o secretário de Obras, Jorge Moreira Marra, irmão do prefeito.

    Jorge Marra chegou e impediu a sequência de uma live ao tomar o celular de Cássio e voltar para carro.

    Cássio Remis fazia uma live na João Alves do Nascimento, mostrando a revitalização da avenida. Durante a transmissão, o advogado disse que funcionários da prefeitura eram usados para fazer serviços particulares em frente ao prédio que possivelmente seria o comitê de campanha de Deiró Marra, prefeito. Jorge Marra chegou numa Hilux, branca, desceu e impediu a sequência da live ao tomar o celular e voltar para carro.

    Na sequência, segundo o comandante do 46o Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Salomão Caixeta, Jorge Marra foi para a Secretaria de Obras(Seaspa). Cássio Remis foi atrás para reaver o celular. Em frente a sede do Seaspa, o candidato foi baleado quando tentou pegar o telefone de volta. O secretário de Obras, de acordo com o comandante da PM, fugiu em uma Toyota Hilux prata.

    O prefeito falou à imprensa em entrevista coletiva três horas depois do crime. Reprodução

    POSIÇÃO DO PREFEITO. Às 18:05, no gabinete do prefeito, começava um entrevista coletiva de Deiró Moreira Marra que durou 17 minutos. O prefeito disse que ele não teve relação com a discussão.

    “Quero inicialmente dizer que nós estamos, de forma muito consternada, com tudo que aconteceu, com dor e com muito pesar que a gente recebe isso. Lamentamos tudo que aconteceu e essa sequência de fatos absolutamente injustificáveis, que culminaram na morte do vereador Cássio Remis por disparo de armas de fogo, infelizmente pelas mãos do meu irmão, Jorge Marra. Esperamos que todos os fatos sejam elucidados e apurados de forma transparente pelas polícias, com a mais absoluta isenção de tudo isso. É um fato que choca todos nós”, disse.

    Deiró Marra afirmou também que nunca usou de violência para resolver divergências políticas. ” Todas minhas diferenças de campo político sempre foram resolvidas através do debate, jamais tive qualquer atitude fora desse campo” disse e acrescentou não saber o que motivou o crime. “Infelizmente não conheço e não sei de nenhum fato e de nenhuma ação que culminou nessa tragédia” e externou condolências “à família do vereador Cássio Remis. Em consideração ao posto que ele ocupou e sua trajetória estamos decretando luto oficial por três dias”, disse.

    O prefeito disse também que estava exonerando o irmão do cargo de secretário de Obras do Município.

    Cássio Remis transmitia uma live da Avenida João alves Nascimento, onde tudo começou.

    QUEM ERA. Cássio Remis dos Santos tinha 37 anos. Era filho do ex-vereador e ex-secretário de esportes de Patrocínio, Marcos Remis dos Santos e da funcionaria pública, chefe da agência do INSS em Patrocínio, Francisca Carneiro dos Santos “Chiquita”. Casado com a empresária Nayara Santos. Advogado e politico ativo, combativo e polêmico desde muito jovem. Foi eleito vereador em 2008, e presidente da Câmara em 2013/2014. O político exerceu dois mandatos consecutivos 2009/2012 e 2013/2016. Foi candidato a prefeito em 2016, quando ficou em 5o lugar, com 3,74% alcançado apenas 1.756 votos. Deiró Marra, irmão de Jorge Marra, foi o eleito pelo PSB com 48,64% dos votos, ou 22.868.

    Cássio Remis era um homem de oposição sem medo. Fez várias denúncias contra o governo municipal e rotineiramente fazia vídeos e lives com acusações contra o grupo do atual prefeito e seu irmão Jorge Marra. Era o adversário político mais ferrenho da atual administração.

    REPERCUSSÃO. Jornais do país inteiro repercutiram a notícia. A Funcecp, onde era conselheiro, publicou:

    “A FUNCECP e mantidas lamentam a morte do Sr. Cássio Remis, membro do Conselho Comunitário da Fundação Comunitária Educacional e Cultural de Patrocínio desde 2012. Cássio Remis deixa a mãe Francisca, o pai Marcos Remis, a esposa Nayara e o irmão Marcos. FUNCECP, UNICERP e EASFP estão de luto e encaminham os sentimentos aos familiares e amigos.”

    No mundo político, o senador Antônio Anastasia(PSD), com quem Cássio Remis tinha relação de amizade, escreveu no facebook:

    O senador Anastasia, considerou o crime “intolerável”.

    “Eu sempre preguei que a política deve ser a arte do diálogo e do encontro de pessoas que lutam pelo bem comum e a felicidade de todos. A polarização e a intolerância com a opinião e a visão do outro, no entanto, tem feito com que isso esteja, infelizmente, cada vez mais longe. Cada um pode ter seus ideais, seus pensamentos. A sociedade, afinal, sempre foi feita de ideais plurais. Não há mal nisso. Ou não deveria haver…

    O que aconteceu hoje em Patrocínio, uma das maiores e mais importantes cidades de nosso Estado, é intolerável, é lamentável, é asqueroso, é triste, é fruto de um tempo no qual parece que todos adoecemos em loucura – em que, sinceramente, eu cada vez menos me encaixo.

    O assassinato de Cássio Remis, um jovem idealista, morto à luz do dia por causa de suas ideais políticas deve nos servir de alerta. Basta! Basta! Basta! Não vale tudo na política. Não vale fazer mal ao outro, não vale ferir, não vale matar!

    Estou chocado com toda essa situação. Quero levar a toda família e amigos do Cássio, que sempre me apoiou, acreditou na minha atuação como servidor, gestor público, professor e político, os meus sentimentos sinceros e meu abraço mais apertado. E, da mesma forma, a toda população de Patrocínio, hoje estarrecida com essa tragédia, levo minha mensagem de solidariedade e de paz”

    XAVIERO candidato a prefeito de Belo Horizonte, João Vítor Xaiver, lamentou a morte de Cássio.

    CANDIDATO EM BH. O deputado estadual João Vitor Xavier(Cidadania), que foi filiado ao PSDB, partido de Cássio, hoje candidato à Prefeitura de BH, também postou nas redes sociais o assassinato de Remis, que se referiu como “amigo”. “É inadmissível e revoltante o que ocorreu, a Justiça precisa ser rigorosa. Cassio, a sua história e luta não serão esquecidas! Que Deus conforte os familiares”, escreveu

    PARTIDO. O PSDB de Minas, repudiou a violência política e manifestou pesar pelo assassinato de Cássio Remis, em nota assinada pelo deputado federal Paulo Abi-Ackel.

    “O PSDB de Minas Gerais manifesta seu mais profundo repúdio à extrema violência que se abateu sobre o presidente municipal do PSDB de Patrocínio, Cássio Remis dos Santos, de 37 anos. Nenhuma divergência política justifica a substituição do debate e das diferenças por meios violentos, ainda mais em se tratando de vidas humanas.

    Além disso, o partido manifesta também seu mais profundo pesar pela morte de Cássio, liderança política jovem, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal do município. Dirigimos nossos pensamentos ao conforto de familiares e amigos.

    Em nome de todos os militantes do estado, reiteramos a necessidade de que os fatos sejam rigorosamente apurados e que a lei seja aplicada de forma exemplar”

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